Se o seu filho troca números, tem dificuldade em contar ou começa a evitar tarefas de matemática, isso pode não ser falta de esforço. Muitas vezes, pode ser discalculia.
A discalculia é uma dificuldade específica na aprendizagem da matemática. Ou seja, a criança pode até compreender a explicação, mas depois tem mais dificuldade em perceber quantidades, sequências e operações simples. Por isso, a matemática acaba por ficar confusa e, com o tempo, também frustrante.
Sinais de discalculia a que deve estar atento
Alguns sinais são bastante frequentes. Por exemplo:

1. Dificuldade em compreender números
A criança pode não perceber bem quantidades, mesmo em situações simples. Assim, fica comprometida a base da matemática.
2. Troca ou inversão de números
É comum escrever 15 em vez de 51, ou trocar a ordem de algarismos. Em geral, isto mostra dificuldade na organização e no processamento visual dos números.
3. Problemas com sequências
Contar de 2 em 2, de 5 em 5 ou de 10 em 10 pode ser difícil. Como consequência, o raciocínio matemático fica mais lento e menos seguro.
4. Dificuldade em memorizar factos básicos
Tabuada, somas simples, subtrações rápidas… tudo isto pode exigir muito mais esforço. E, por isso, a criança pode demorar mais tempo a automatizar.
5. Frustração com a matemática
A criança pode ficar ansiosa, desistir rapidamente ou evitar exercícios. Com o tempo, isto afeta a confiança e a relação com a escola.
Como ajudar o seu filho em casa

Não precisa transformar a casa numa sala de aula. No entanto, algumas estratégias simples podem ajudar bastante:
1. Usar objetos reais
Brinquedos, moedas, comida, peças de construção… Quando os números têm “corpo”, a criança consegue dar-lhes mais significado.
2. Aprender através de jogos
Dominós, cartas, jogos de tabuleiro e desafios rápidos ajudam a praticar sem tanta pressão. Além disso, tornam a matemática mais leve.
3. Trazer a matemática para o dia a dia
Contar passos, medir ingredientes, ver as horas, comparar preços… Assim, a criança percebe para que servem os números e aprende com mais naturalidade.
4. Usar apoio visual
Esquemas, cores, linhas numéricas e desenhos ajudam a organizar o pensamento. Por isso, a compreensão melhora, sobretudo quando a criança se perde facilmente nos cálculos.
5. Reforçar a confiança
Valorize o progresso, mesmo quando é pequeno. Desse modo, evita-se o bloqueio e a criança mantém-se mais disponível para tentar.
Quando procurar ajuda
Se estas dificuldades persistem e começam a afetar a escola ou a autoestima, é importante fazer uma avaliação. Quanto mais cedo se identifica a causa, mais fácil é criar um plano de apoio.
No CTEB, a nossa equipa multidisciplinar (terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e psicólogos) trabalha em conjunto para compreender as dificuldades e definir estratégias ajustadas a cada criança.




