Se o seu filho troca letras, comete erros vezes sem conta ou parece “baralhar-se” com as regras, isso nem sempre é falta de atenção. Em muitos casos, pode estar relacionado com disortografia.
A disortografia é uma dificuldade específica da escrita. Ou seja, afeta a forma como a criança reconhece, organiza e aplica as regras da língua quando escreve. Por isso, mesmo quando já conhece as letras e sabe os sons, pode continuar a errar. E, naturalmente, com o tempo, isso traz frustração, cansaço e desmotivação.
Sinais de disortografia a que deve estar atento
Há sinais que aparecem com frequência. Por exemplo:
1. Erros ortográficos constantes
Escrever “caza” em vez de “casa” é um exemplo típico. Além disso, mesmo depois de corrigir, os mesmos erros voltam a aparecer.
2. Troca de letras com sons parecidos
É comum confundir “b” e “p”, ou “d” e “t”. E isto acontece porque, muitas vezes, a criança tem dificuldade em distinguir bem certos sons.
3. Escrita pouco clara ou desorganizada
As frases podem sair confusas, mal estruturadas ou com palavras fora do sítio. Como resultado, fica mais difícil perceber o que a criança quer dizer.
4. Dificuldade em aplicar regras
Acentuação, regras de ortografia, uso de “m” e “n”, pontuação… tudo isto pode ser um desafio. Em geral, está ligado ao processamento da linguagem.
5. Frustração na hora de escrever
Com o tempo, a criança pode evitar tarefas de escrita, ficar ansiosa ou perder confiança. E, a partir daí, a escrita transforma-se numa fonte de stress.
Como ajudar o seu filho em casa

Não existe uma solução mágica. No entanto, há pequenas estratégias que ajudam, e muito, no dia a dia:
1. Corrigir de forma positiva
Em vez de apontar apenas os erros, comece por valorizar o esforço. Assim, a criança sente-se mais segura e fica mais disponível para aprender.
2. Usar jogos e apoio visual
Cartões com palavras, letras móveis, cores para destacar padrões, jogos de rimas… Tudo isto ajuda a tornar a aprendizagem mais leve e mais clara.
3. Ler com regularidade
A leitura, sobretudo em voz alta e com acompanhamento, ajuda a criança a ver as palavras “muitas vezes”. E, aos poucos, isso facilita o reconhecimento de padrões corretos.
4. Incentivar a revisão, sem pressão
Peça para reler o que escreveu e, depois, para tentar melhorar uma ou duas coisas. Desta forma, vai ganhando autonomia sem se sentir “avaliada” o tempo todo.
5. Dar tempo e respeitar o ritmo
A pressa costuma piorar os erros. Por isso, quando for possível, dê mais tempo para escrever e evite comparações.
Quando procurar ajuda
Se os erros continuam a acontecer e começam a interferir com a aprendizagem, vale a pena fazer uma avaliação. Quanto mais cedo se percebe o que está por trás das dificuldades, mais fácil é definir um plano de apoio.
No CTEB, a nossa equipa multidisciplinar (terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e psicólogos) trabalha em conjunto para identificar as necessidades da criança e criar estratégias ajustadas ao seu caso.




